(Ricky Mastro - 18/07/2002)
É
inverno. Você está faminto e o tempo não é
nada favorável para este tipo de sensação.
Você vai de restaurante e restaurante tentando achar aquela
sopa inesquecível. Sopa que desce macia pela garganta,
deixa o coração bater mais rápido, faz você
esquecer dos seus problemas e ser a pessoa mais feliz do mundo.
Dieta? Tá louco. Você é a pessoa mais bonita
do mundo. Em forma, você pode comer todas as sopas que quiser.
Sopas de aspargos, canja, sopa de feijão. São tantas
as opções que você nem sabe o que escolher.
Na verdade você sabe... você quer aquela sopa que
só você conhece o sabor. Mas diante de tanta fome
porque não um buffet de sopas? É mais barato, prático
e afinal você vai poder experimentar todas as sopas do mundo.
Você entra no restaurante e se sente um rei. Nem pega uma
vasilha. Você pega três, quatro vasilhas. Conchas
para todos os lados. Você se sente um expert em sopas...
Mas quanto realmente você sabe?
O inverno passa... chega o verão e você nem se lembra
da sua aventura gastrônomica... o inverno volta e o vazio
que vem com ele também... Mas, desta vez você decide
fazer algo diferente... você quer somente uma única
sopa. Quer conhecer como essa sopa é em diversas temperaturas,
textura, cor, igredientes... em resumo, você quer ser um
especialista num único tipo de sopas. E assim você
vai.. caminhando pelos restaurantes da vida... É desanimador...
tantas tentações, tantas opções e
tanto frio e fome. Mas, você está decidido a achá-la.
Você entra e sai de bistros, fast food, cantinas e até
butiquins. Nada. Desanima, cai, enfraquece.
Até que um dia quase na primavera você para num ponto
de ônibus numa cidadezinha e sente um cheiro especial. Cheiro
de sopa de verdade, de sopa caseira. E é ela a sopa que
você tanto sonhou. Temperatura, textura, sabor e odor perfeito.
A sopa que te alimentará pelo resto de sua existência..
a sopa que será o grande amor de sua vida.