(Ricky Mastro - 31/08/2002)
‘.... somos todos palhaços neste mundo circo em que vivemos...’
Já vou falar de princípio que a profissão de padeiro não é fácil. Afinal todos nós temos a mesma obrigação: a de fazer e assar um pão. E o que tem de especial um pão francês? Talvez você pode incrementá-lo deixando-o mais crocante, com um miolo mais macio... mais pão é pão – e nunca vai deixar de ser pão... então no nosso meio temos uma concorrência afiada e por muitas vezes desleal para descobrir algo que possa fazer um pão totalmente único e inovador...
Desde que comecei a trabalhar como padeiro estive procurando diversos tipos de fermentos... descobri que se achasse o fermento certo e amassasse a massa de uma maneira uniforme e constante poderia chegar naquilo que chamaria de o pão perfeito...
Comecei a pesquisar, procurando todos os diversos tipos de fermentos... achei vários... fermentos vindo da Amazônia, da Europa, Brasília e até alguns vindo de Campinas... todos tinham o mesmo resultado: o de um pão medíocre que poderia ser obtido em qualquer padaria deste país... Já estava acostumado com esse tipo de fracasso... até que um dia chegou na loja um rapaz descabelado me oferecendo esse fermento modelo vindo do sul do país que estava fazendo um enorme sucesso... fiquei empolgado e nem me importei com o preço... paguei e corri para a cozinha pronto para fazer a minha grande obra prima...
Estava tão ansioso que nem sabia por onde começar... liguei para vários amigos, profissionais da área e até biólogos... tudo isso com um só intuito: o de melhor aproveitar o meu fermento. Obtive inúmeras dicas, informações e relatos de experiências semelhantes... já não sabia o que fazer... estava louco com tanto conhecimento adquirido... ou melhor estava ainda mais ansioso e inseguro...
Resolvi me atirar de cabeça... tinha que experimentar... ignorei todos os conselhos daqueles que se diziam ‘mestres paninos.’ Fiquei durante quase uma semana combinando os ingredientes, amassando a massa, colocando o fermento, etc...
Estava apaixonado em estar ali... por um instante pensei que a minha vida inteira dependia desse pão... Após tanto tempo naquela cozinha, estava cansado de tanto trabalhar... resolvi descansar um pouco... fui só eu sair, a faxineira entrou... coitada! Ela viu aquela bagunça incrível na cozinha e nem pensou duas vezes... jogou tudo fora e deixou tudo limpo... quase tudo... pois afinal, eu sempre terei a esperança de fazer o pão perfeito.